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Economia Circular É A Chave Para a Inovação Na Construção Civil


Desde o início da industrialização, o modelo de fabricação e de consumo no mundo obedece a uma sequência linear, que contempla extração, produção, uso e descarte. Nessa estrutura, os itens obsoletos viram lixo rapidamente e não são reaproveitados. Mas uma nova alternativa ganha força e interrompe o ciclo de recorrer às fontes de recursos finitos para criar novos produtos: a economia circular.

A ideia é depender menos de matéria-prima virgem e mais de insumos duráveis, renováveis e recicláveis. A mudança do linear para o circular está sendo incentivada tanto pela preocupação ambiental quanto pelo interesse do consumidor em saber cada vez mais sobre a origem dos produtos que consome.

Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou, por exemplo, que 56,5% das empresas reduzem o desperdício de materiais por meio da otimização dos processos produtivos; 37,1% utilizam insumos circulares, provenientes de reparos, recondicionamento, remanufatura, reciclagem ou renováveis; enquanto 24,1% realizam a recuperação de recursos, por meio da troca de resíduos entre empresas.


Impactos Da Construção Civil No Planeta

Uma definição mais atual para a economia circular está sendo desenvolvida pela Organização Internacional de Normalização (ISO). Para a entidade, “é um sistema econômico que utiliza uma abordagem sistêmica para manter o fluxo circular dos recursos, por meio da adição, retenção e regeneração de seu valor, contribuindo para o desenvolvimento sustentável”.

Conceitos à parte, o que se espera é uma mudança global nos padrões de produção e consumo. Este foi o objetivo da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) em Glasgow, em 2021, ao convocar governos, empresas e sociedade civil para acelerar as ações no enfrentamento às mudanças climáticas.

E o setor da construção civil deve ter participação direta nessa transformação, já que é um dos mais poluentes do mundo. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em dezembro de 2020, quase 40% das emissões de dióxido de carbono no planeta foram provocadas pelo aglomerado de edificações em centros urbanos. Sem contar que somente o segmento de infraestrutura consome 50% dos recursos extraídos do planeta.


Engajamento Da Cadeia Produtiva

Estudo feito pela Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos de Construção Civil e Demolição (Abrecon) prova essa realidade, visto que somente os resíduos de construções e demolições representam até 70% dos rejeitos sólidos produzidos pelas cidades brasileiras. O maior desafio é reutilizar os seus materiais em novos ciclos de obras, sem perda de qualidade.

Essa geração excessiva de entulho evidencia a dificuldade da construção civil em evitar o fim da vida útil dos materiais. De fato, muitos itens acabam inutilizados porque sequer foram fabricados com o intuito de reaproveitamento.

A economia circular aplicada à construção civil se define pelo uso inteligente do espaço construído. Porém, envolve todas as etapas e ciclo de vida de uma edificação (projeto, especificação de materiais, construção, operação e fim de vida útil).

O primeiro passo para a transformação é a conscientização sobre os chamados 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) e o engajamento da cadeia produtiva. Esta mudança depende da ação por parte de empresas, que inclui a capacitação de profissionais. Todos devem estar preparados tanto ao uso de novas tecnologias para a produção de materiais inovadores quanto de sistemas construtivos industrializados e de ferramentas digitais.


Estratégias Para Aplicação da Economia Circular na Construção

A especificação de sistemas construtivos industrializados é uma das soluções. O processo produtivo é racional e limpo, além de minimizar a quantidade de resíduos no canteiro de obras, que na maioria das vezes tem como destino final os aterros sanitários, extremamente saturados.

Um exemplo prático é o uso de estruturas pré-fabricadas de aço. As peças são fabricadas com precisão chegando prontas à obra, onde serão encaixadas e aparafusadas. No caso de demolição da edificação, elas podem ser desmontadas e reaproveitadas em outro local.

O mesmo processo ocorre com a madeira engenheirada – um modelo de construção inovador, pré-fabricado e sustentável, pois o material ainda absorve gás carbônico da atmosfera, e pode ser 100% reciclado.

Porém de nada adianta a incorporação de técnicas de construção industrializadas se o controle das atividades ainda for “manual”. Atualmente, a digitalização do canteiro de obras e a conexão em tempo real de equipes durante todas as etapas do processo construtivo podem ser consideradas condições indispensáveis para se aumentar a eficiência na utilização da mão de obra, redução de desperdício de materiais e aumento da sustentabilidade.

Entre as inovações em alta podemos destacar duas: o Building Information Modeling (BIM) ou modelagem de dados de construção, a ferramenta pode ser utilizada em todo o ciclo de vida da construção de um empreendimento. A Internet das Coisas (Internet of Things) é outra tecnologia capaz de proporcionar desempenho e produtividade. De forma geral, pode ser utilizada para relatar, alterar, modificar ou monitorar o ambiente, o que melhora o controle dos processos de uma modo geral.

Estas são apenas algumas tecnologias possíveis de se investir nas diferentes etapas de uma obra. Elas podem auxiliar, e muito, construtores e incorporadores na criação de edificações social e ambientalmente responsáveis, alinhadas com as exigências do mundo atual.


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