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Entrevista: Luiz Costi fala sobre o uso do BIM na construção

Novas soluções, processos, metodologias para a digitalização do setor da construção civil estão cada vez mais presentes e à disposição no mercado. Internet das coisas, big data, impressão 3D, realidade virtual e aumentada, BIM, automação, robôs, drones e softwares de gestão e controle vieram como uma contraposição ao modelo tradicional de projetar e construir, que ainda impera no setor.


São diversos desafios, alguns deles mais complexos, que construtoras e incorporadoras enfrentam no dia a dia: controle de materiais, estoque, cumprimento de prazos, análise de viabilidade, entre outras questões que demandam uma atenção redobrada. Para minimizar as dificuldades de realizar construções que atendessem a todos os objetivos dos projetos de maneira eficiente, o BIM, por exemplo, tem se mostrado eficiente.


Em nosso último artigo, falamos sobre o uso e a importância do BIM na construção civil. No artigo hoje, Luiz Olimpio Costi, fundador e sócio da Procion Engenharia, fala um pouco sobre o uso do BIM na cadeia produtiva, como essa metodologia torna os projetos mais sustentáveis, suas expectativas para o futuro e como a Procion Engenharia têm em impulsionado o uso do BIM no setor.


1) Nos últimos tempos tem se falado à exaustão dos benefícios do BIM para a construção civil. Como você vê o uso dessa tecnologia hoje pelas empresas da cadeia produtiva? Já é uma realidade que ainda não se espalhou, mas a procura é crescente. Porém, a metodologia padronizada mundialmente é diferente do cenário real de construção civil brasileira. Ou seja, é necessário uma quebra de paradigma, de não se tentar “encaixar” a metodologia BIM na construção convencional. É necessário industrializar o processo de montagem na obra, um novo modelo de construção com pré-fabricados em todos os sistemas. Assim, com um processo de montagem padronizada na obra, será possível entender a extensão do benefício do uso do BIM.

2) Quais barreiras ainda seguram o crescimento do BIM no mercado?

Entendo como o mais relevante o baixo nível de conhecimento da capacidade e extensão da plataforma BIM, e as metodologias atuais de planejamento, orçamento e execução de obra.

3) Sustentabilidade é um tema que tem ganhado cada vez mais importância. Como o uso do BIM pode tornar o projeto mais sustentável?

Sim, sem a menor sombra de dúvida um projeto na plataforma BIM é muito mais sustentável. Para termos uma ideia, há uma melhora/redução na perda financeira, por redução com retrabalhos (que atualmente pode representar 30% do custo da obra) e também redução na perda de materiais (que podem chegar a 8% do valor total). O BIM 4D, por exemplo, garante a otimização dos recursos financeiros e o timing de compra de materiais, otimizando o fluxo de caixa da obra. Vale destacar que a aplicação da plataforma BIM se traduz em aumento de produtividade e em menor custo de execução. Além de otimizar e reduzir interferências no campo pela exploração do modelo virtual em projetos, com o uso do BIM eu também reduzo o prazo de execução: ou seja, há um enorme avanço na sustentabilidade do empreendimento.

4) A pandemia impulsionou a transformação digital nas empresas. Você acha que o BIM deve ganhar força daqui pra frente? Por quê?

A rigor, apenas por conta da epidemia, é quase indiferente. Para nós, a transformação digital já havia se iniciado, mas hoje dependemos muito mais de uma boa capacidade de transmissão de dados. Isso porque o nosso setor de trabalho (projetos e consultoria), exige muito menos deslocamento de pessoas para o seu desenvolvimento, mas uma altíssima velocidade e capacidade do tráfego de informações “online”. Mas o BIM ganhará força sim, porque uma maior integração online durante o desenvolvimento dos projetos e um planejamento mais eficiente da execução vão permitir menor custo de desenvolvimento do projeto e da construção. Além disso, as simulações virtuais serão fundamentais para avaliar o desempenho, e sem necessidade de se fazê-lo presencialmente ou num local/laboratório específico.

5) Como a Procion Engenharia tem impulsionado o uso do BIM no setor?

Participamos, desde o início da maioria das iniciativas da cadeia da construção, para evolução e implementação do BIM, seja na comunidade dos projetistas (via ABRASIP), seja junto aos demais agentes do setor, como os incorporadores, construtores, orçamentistas, gerenciadores, instaladores e controladoras da qualidade de construção, Enredes). Tivemos também participação efetiva junto a fabricantes de materiais (como Deca, Tigre, Amanco, entre outros) e junto ao desenvolvimento de normas técnicas da ABNT e de concessionárias. Por fim, trabalhamos no aprimoramento da coleta, processamento e análise de dados para aplicação da plataforma BIM em projetos, junto aos desenvolvedores de softwares para projetos.

6) Qual o seu conselho para as empresas interessadas na adoção do BIM?

De forma simplista, recomendamos utilizar o BIM como uma metodologia diferente de trabalho. A maior parte do projeto engloba a parametrização inicial e um bom BIM Execution Plan (BEP) com a coordenação merece maior investimento e atenção. Desta maneira, sugerimos (e achamos extremamente necessário) que se dedique uma maior parte do tempo no projeto, em comparação à metodologia convencional. Ou seja, no desenvolvimento/aprimoramento dos conceitos entre os projetistas correlatos (conceito do produto edificação), no formato durante o desenvolvimento do projeto entre as diversas disciplinas e na parametrização do projeto em plataforma BIM para suas diversas aplicação (o que se deseja, qual o objetivo do uso do projeto na plataforma BIM). Logo após a empresa implantar a metodologia BIM (desde a alta cúpula), como conceito, que haja a preocupação de “como e em que extensão” se pretende aplicar o projeto BIM, tanto no planejamento da obra, como na construção e no pós-obra (para uso em facilities).

Luiz Olimpio Costi é fundador e sócio da Procion Engenharia. Engenheiro Industrial Eletricista, formado pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, São Paulo. Pós-graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, atua na elaboração de Normas Técnicas junto a ABNT e é Membro da Diretoria de Instalações do SECOVI-SP.


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