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Produtividade da construção civil brasileira no pós-pandemia

A produtividade no setor da construção civil sempre foi um tema de amplas discussões. Mas antes de nos aprofundarmos neste assunto, precisamos entender a diferença entre produção com produtividade. A produção é um processo e a produtividade é o indicador que mede a eficiência desse processo. Por exemplo, se você produz 2 mil unidades de um produto em um mês a sua produção pode ser considerada alta, dependendo do tipo de produto e da demanda. Se o concorrente produz as mesmas 2 mil unidades em dez dias, sem perda de qualidade, significa que ele é muito mais eficiente em sua produção, apresentando melhores índices de produtividade.


Na indústria da construção não é diferente. Você pode atender à demanda na execução de serviços, por exemplo, com baixa produtividade, contanto que os poucos concorrentes estejam na mesma situação. Quando, por outro lado, a oferta é maior que a procura e o setor investe em produtividade, se o seu negócio não avançar nesse quesito, ficará pelo caminho.


Além disso, produtividade na construção civil é um poderoso diferencial. Projetos bem planejados e executados com agilidade, respaldados por processos de logística eficientes, proporcionam benefícios inquestionáveis, tais como:


  • Redução do desperdício e custo com materiais;

  • Redução de custo com recursos humanos;

  • Pontualidade na entrega de projetos, conquistando a confiança de clientes e parceiros;

  • Aumento das receitas e da lucratividade.

Cada dia mais, as inúmeras inovações que surgem vêm fomentando a modernização do setor e exigindo às empresas de toda a cadeia da indústria a se adequarem à nova realidade. Afinal, como já mencionamos aqui no blog, estar sintonizado com a inovação traz benefícios significativos, como aumento de produtividade, redução de custo, aumento de qualidade, confiabilidade e, principalmente a sobrevivência da empresa.


Produtividade do setor no Brasil


Construir mais em menor tempo, com custos previsíveis, sem comprometer a qualidade e a sustentabilidade ainda é um desafio gigante para a construção civil. A produtividade do setor aqui no Brasil está longe de ser um traço competitivo, apesar de sua importância estratégica. Apesar disso, segundo dados do indicador de produtividade do trabalho do IBRE/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) a construção civil fechou 2019 com crescimento de 3,7% em sua produtividade, um desempenho que impediu que a produtividade global da indústria nacional fechasse o ano com um percentual negativo.



Entretanto, com o advento da COVID-19 e a paralisação das atividades de diversos segmentos, a situação se tornou mais complicada. Diversos setores já sentem as dificuldades provocadas pela pandemia, inclusive a construção civil que, segundo projeções, feche o ano de 2020 com um PIB com uma queda entre 5 e 10%.


Em julho de 2019, sem que houvesse qualquer sinal de uma pandemia, Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos de construção do IBRE/FGV já apontava em uma entrevista o desinteresse do setor pelo investimento em produtividade. Curiosamente, segundo Ana, a produtividade até melhorou de 2013 para cá, mas meramente em decorrência do desaquecimento do setor. Com 1 milhão de demissões até 2018, a pressão por mão de obra qualificada existente em períodos anteriores, que levava a questionamentos sobre a produtividade da Construção Civil brasileira, diminuiu, melhorando a qualidade dos recursos humanos empregados.


O levantamento Impactos da COVID-19 na Indústria, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em abril deste ano com empresas da indústria extrativa, de transformação e da construção, mostrou que a pandemia do novo coronavírus atingiu as empresas industriais principalmente por meio da queda da demanda, que resultou em diminuição ou mesmo paralisação da produção. Entre as empresas do estudo, 70% citaram queda no faturamento como um dos reflexos da pandemia. De um modo geral, 91% dos empresários relataram que a crise sanitária resultou em um impacto negativo sobre sua empresa. Deste total, apenas 6% responderam que a empresa não foi impactada, enquanto para 3% o impacto foi positivo.




Entretanto, a indústria da construção segue registrando desempenho cada vez mais favorável após a forte redução da atividade em abril, segundo boletim mais recente da CNI. Nesse cenário, o Índice de Confiança do Empresário da Construção (ICEI-Construção) aumentou 7,7 pontos, alcançando 54 pontos em agosto. É a quarta alta consecutiva do índice, após as expressivas quedas de março e, sobretudo, abril, resultantes das perspectivas negativas com o início da pandemia.


A pesquisa também mostrou que a intenção de investimento apresentou alta de 4,7 pontos em agosto, atingindo 39,5 pontos.



O que fazer para melhorar a produtividade do setor


É evidente que a industrialização e padronização de processos produtivos, a melhor organização e operacionalização dos processos logísticos, o investimento robusto em qualificação da mão de obra, a adoção de metodologias ágeis em gestão de projetos e o investimento nas mais modernas tecnologias de TI, automação, integração digital e IoT seriam vetores naturais de um salto produtivo do setor de construção civil brasileiro.


É preciso que cada gestor reflita profundamente sobre o momento. O que é mais apropriado? Investir em produtividade ou esperar que o curso da economia brasileira mude? Por ora, os entraves são externos: alta carga tributária, inadimplência, falta de crédito, burocracia, condições políticas e macroeconômicas. Mas, começar a mudar o mindset para entender o impacto da tecnologia na produtividade e reorganizar os processos internos já é um passo adiante. Não custa lembrar: o aumento da produtividade traz eficiência, redução de custos, agilidade, maior confiabilidade em prazos, geração de valor para investidores e clientes e, consequentemente, aumento da lucratividade do negócio. É uma questão não apenas para refletir, mas também agir.


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