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A retomada do setor da construção pós-pandemia

Entramos na reta final de 2020 e podemos dizer que este ano foi desafiador e de muitos aprendizados para todos nós. Se por um lado a pandemia do novo coronavírus causou impactos em todos os setores e no dia a dia da sociedade, por outro ela vem deixando um legado importante para o futuro. Aos poucos, a atividade econômica vem sendo retomada e as perspectivas desse retorno são otimistas, principalmente para o setor da construção civil, uma área que promete ajudar a alavancar a economia brasileira após a pandemia.


Neste período, transformações que já eram previstas por muitos especialistas foram forçadas a acontecer – afinal, era necessário mudar ou mudar. Mas antes de abordar a retomada da construção civil, vamos relembrar o cenário do setor antes da COVID-19.


No decorrer dos últimos anos, o Brasil vinha em uma crescente crise econômica, que afetou vários setores do mercado brasileiro. E a construção civil foi um dos que mais sentiu o impacto. Afinal, com menos dinheiro para comprar, menos a população estava fazendo aplicações, principalmente na compra de imóveis, pois necessita de um alto valor de investimento. O cenário mudou em 2019, com uma melhora nos números e, em 2020, a previsão de crescimento do PIB do segmento era de 2,2%, a taxa de juros básicos do ano em 5%, além da inflação permanecer estável em 4%.


Porém, com a chegada do novo coronavírus, não só as obras foram paralisadas, mas também toda a cadeia de suprimentos e de suporte ao setor. Neste período, também ocorreu a demissão de diversos trabalhadores Para termos uma ideia, no primeiro bimestre deste ano, os lançamentos de imóveis, de acordo com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), chegou a marca de 6.871 unidades, uma alta de quase 35%, em relação a 2019. O que reduziu logo no início do isolamento social. Em março, primeiro mês da quarentena, o nível de evolução do setor ficou em 28.8 pontos, o mais baixo dos últimos anos.


Momento de reflexão e mudança


Esse período foi um momento de reflexão para toda a cadeia produtiva: estamos conduzindo nosso processos da melhor forma possível? Nossas sistemáticas poderiam ser mais ágeis? Os processos poderiam ser mais seguros? Estes e outros questionamentos vieram à tona e, apesar de não haver uma resposta definida, havia uma única certeza: era necessário o setor se reinventar, rever processos, projetos, repensar sistemas construtivos.


Essa urgência acelerou algumas mudanças no setor, como a digitalização e a adoção de novos sistemas construtivos, mais rápidos e sustentáveis. Um exemplo foram as obras para atendimento da demanda de hospitais em várias regiões do país. Foram construídos hospitais em 30 dias através da construção modular, algo que deve ser cada vez mais recorrente. Ou seja, a pandemia evidenciou a tecnologia construtiva e o enorme potencial brasileiro de utilizá-la.


Com a reabertura gradual da economia, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI-Construção) aumentou, demonstrando o clima de otimismo entre os empresários da indústria brasileira, mesmo com os impactos da pandemia do novo coronavírus. Com o aumento da confiança, a Indústria deve voltar a contratar trabalhadores e a investir, estimulando o processo de retomada da economia. De acordo com dados do CAGED, apenas em junho de 2020, a construção civil gerou mais de 17 mil novos postos de emprego e continua liderando a retomada e contribuindo com a melhora na qualidade de vida dos brasileiros.


Segundo analistas do Banco Inter, o setor continuará tendo resiliência e as construtoras devem se beneficiar desse momento de crescimento no setor. Para o time de análise, isso se deve à forte demanda em imóveis, segmento que tem se beneficiado das baixas taxas de juros e da recuperação do consumo. Um relatório da Credit Suisse apontou que o segmento residencial está apresentando uma típica retomada em “V”. De acordo com o levantamento, as vendas na capital paulista, em agosto, foram 46% maiores que em julho e 44% maiores que no mesmo mês de 2019. O maior crescimento, porém, se deu no segmento de baixa renda, que registrou recorde de vendas mensais, com cerca de 3,5 mil unidades vendidas, um salto de 92% sobre o mês anterior.


Para a Abrainc, a recuperação do mercado imobiliário brasileiro começou, de fato, no fim do segundo trimestre de 2020, com os imóveis destinados à população de baixa renda. Cerca de 75% dos imóveis vendidos foram destinados para este segmento que, segundo acreditam os especialistas, a demanda é estrutural, de famílias que precisam dos imóveis para viver melhor.


E como fica a construção no pós-pandemia?

Como mencionamos anteriormente, a indústria da construção vem sendo fortemente pressionada a mudar, a se reinventar, justamente para oferecer soluções aos seus conhecidos problemas. E essa pressão ficou ainda maior com a pandemia, que deixa um aprendizado enorme para o setor, assim como todos os outros segmentos da economia. Afinal, foram inúmeros desafios até então inéditos e que exigiram senso de liderança, criatividade, coragem, inovação e um olhar para o futuro.


O processo de transformação digital se tornou prioridade do dia para a noite em uma boa parte das construtoras. Planos que foram avaliados por anos saíram das gavetas e se tornaram a solução para evitar maiores prejuízos e, em alguns casos, garantir a sobrevivência do negócio. Além disso, grandes corporações têm participado cada vez mais dos ecossistemas de startups e empreendedorismo para se conectarem com as tendências e expectativas dos mercados, como forma de inovar mais rápido e injetar agilidade nos processos organizacionais.


Logo, é válido reforçar a necessidade dos gestores das empresas da cadeia produtiva entenderem as inovações da construção civil como peças fundamentais para o crescimento dos negócios, especialmente no atual momento. A combinação da digitalização em diversas escalas, a utilização eficiente de processos e tecnologias, de materiais e recursos e um forte viés sustentável e social parecem ser a bola da vez para companhias e líderes que estão puxando a fila dessa transformação sem volta.


Como tem sido a retomada da sua construtora? Conte pra gente aqui nos comentários e não deixe nos acompanhar nas redes sociais!




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