Buscar
  • connectdata

ESG: Cresce a Importância da Agenda Positiva na Construção Civil

A agenda positiva ESG (environmental, social and corporate governance), sigla em inglês para o trinômio ambiental, corporativo e social, tornou-se indispensável para corporações do mundo todo. O termo é utilizado para avaliar como as empresas atuam e quais são os seus respectivos impactos nessas três áreas.


E a construção civil não poderia ficar de fora. Aliás, a expressão está sendo colocada em pauta pelo setor, justamente por medir e avaliar três tópicos considerados cruciais para o desenvolvimento de projetos, sejam eles de construção, reforma ou manutenção dos espaços.


Até porque não é de hoje que se busca reduzir os impactos das obras em relação aos recursos naturais e às comunidades onde são inseridas. Porém, com a chegada da crise sanitária mundial essa necessidade de transformação tornou-se latente, reforçando a adoção de processos e políticas de respeito ao meio ambiente, aos valores sociais e à promoção do bem-estar geral.


Aliás, os olhos do mercado estão voltados a organizações ambiental e socialmente responsáveis. Isso porque, no mundo todo, criou-se um padrão corporativo baseado em boas práticas de gestão. Investir em empresas com carimbo ESG é mais seguro e rentável.


Efeitos da Construção Civil no Planeta


A indústria da construção civil é uma das mais poluentes do mundo e a que mais contrasta com as práticas ESG. Quase 40% das emissões de dióxido de carbono no planeta são devidas à longa cadeia de edificações em centros urbanos. Sem contar que somente o segmento de infraestrutura consome 50% dos recursos extraídos do planeta.


Os dados são do relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em dezembro de 2020, que alertou sobre a urgência de descarbonização do setor. Nesse sentido, há um benefício claro a respeito da adoção de indicadores ESG no desenvolvimento de projetos que acarretem menos prejuízos ao meio ambiente.


Contudo, para além das questões ambientais, dentre as vantagens da agenda positiva, podemos listar o fortalecimento da marca, boas referências para a indústria e a sociedade, retenção e satisfação de colaboradores, valorização por parte dos investidores, além de aumento na receita com redução de custos. Todos estes fatores são mandatórios também para a evolução da cadeia construtiva.


Fundos ESG: Um Mercado em Ascensão


Para entender melhor, investimentos em fundos ESG não são apenas ambiental e socialmente corretos. Eles também têm trazido resultados para investidores e empresas que emitem os papéis escolhidos para compor as carteiras desses fundos.


Somente no segundo semestre de 2020, os fundos ESG alcançaram a marca de 1 trilhão de dólares em patrimônio, um crescimento de 25% — quase o dobro da média do mercado, que foi de 13%. Os dados foram divulgados no relatório Exame Invest Pro, divulgado pela Revista Exame.


Também em 2020, 95% das carteiras baseadas em índices de sustentabilidade ESG performaram melhor que os índices das bolsas de valores que não adotam esses critérios. Além disso, conforme relatório publicado pela PwC em 2021, 77% dos investidores institucionais pesquisados planejam deixar de comprar produtos não vinculados ao ESG em um intervalo de dois anos.


Passo a Passo para a Implantação do ESG


A construção civil se vê diante de uma nova transformação que, no passado, começou com qualidade, e pouco depois se transformou em sustentabilidade. Logo, a implantação das práticas ESG em uma empresa do setor, assim como nos demais, requer uma abordagem holística.


Ela começa com o comprometimento e o engajamento da alta administração, que deve ter clareza dos objetivos, metas, indicadores, diretrizes estratégicas e requisitos a serem atendidos nas dimensões ambientais, sociais e governança corporativa. Igualmente importante é a criação de um Comitê de ESG formado por representantes dos diversos processos internos e que tem como objetivos principais:


  • Levantar todas medidas adotadas pela empresa nas esferas ambiental, social e de governança;

  • Identificar gargalos;

  • Estabelecer e implantar novas medidas;

  • Conscientizar e divulgar a importância da agenda ESG em todos os departamentos da empresa;

  • Realizar treinamentos do conceito ESG internamente e em paralelo com fornecedores e parceiros;

  • Avaliar os benefícios das ações de sustentabilidade;

  • Analisar os resultados obtidos, assim como implementar ações corretivas, preventivas e de melhoria;

  • Divulgar as ações e resultados aos stakeholders.


Logo, independentemente do tamanho - seja pequena, média ou grande -, qualquer empresa da construção civil terá de se posicionar em relação às questões climáticas e sociais. Aquelas que não se adequarem ao conceito ESG, num futuro bem próximo, terão dificuldades para encontrar investidores, ficando à margem das principais discussões que irão permear o mundo dos negócios.


18 visualizações0 comentário